sexta-feira, novembro 01, 2013

Um amor reformado

Lutero e Catarina_por Kamilla Domingues

O dia 31 de outubro de 1517, sem dúvidas, foi um dos dias mais gloriosos da história da Igreja: 95 teses eram fixadas nas portas da capela de Wittemberg por Martinho Lutero. Um “convite” a discussão com teólogos católicos, em defesa da verdade bíblica, sobre temas como indulgências, penitências e salvação pela fé.

Existe beleza rompendo com força nesse dia. A graça da cruz com violência impulsionava Lutero a agir. Existia cheiro de morte nesse dia. Lutero ao dar esse passo, desafiava a autoridade maior da época.

Tenho a mais profunda admiração por Lutero. Por sua coragem em defender a verdade das Sagradas Escrituras. Oxalá se levantassem novos Luteros hoje!

Eu sempre fui uma curiosa sobre a vida desse ex-padre alemão. Ler sobre seus feitos, sua vida e a reforma sempre foi um dos meus passatempos favoritos.

Outro fato sobre Lutero que sempre me chamou a atenção e me fazia (e faz) passar horas “fuçando” pelo Google é sua Catarina Von Bora. Ainda pequena eu ganhei um livrinho que se chamava “10 meninas que mudaram o mundo”, e ali fui apresentada a ela. Sim! A Sra. Lutero foi uma menina que mudou o mundo. Ela tem mudado o meu mundo.
           
Um dia chegou à minha mão, umas páginas em pdf, de um livro que seria lançado sobre cartas de amor dos grandes nomes da história da Igreja Protestante. Nunca achei esse livro pra comprar. Mas, felizmente as poucas páginas disponíveis online, era sobre as cartas de Lutero para Catarina. A partir daí, “investigar” sobre os dois, e ler sobre a reforma ganhava um tom a mais.

Já faz um tempo que tenho lutado pra reformar o meu conceito de amor. Acabar com as indulgências Hollywoodianas e voltar pra essência bíblica da questão! Porque então, não olhar para os reformadores e aprender sobre isso também com eles? Assim como eles orientaram a Igreja a voltar seus corações para verdades Bíblicas no movimento da Reforma, estou segura de que podem nos ensinar, meninas, a reformar também nosso conceito de amor. Como irmãos mais velhos, na caminhada cristã, suas vidas podem refletir princípios de Deus para nós ainda hoje.

Enquanto ficamos paradas, esperando um click de filmes acontecerem entre nós e o garoto do momento, e somos alimentadas por essa maneira do amor acontecer a cada sessão da tarde, a cada lançamento no cinema... Lutero e Catarina nos ensinam sobre um amor que nasce por uma causa antes mesmo que existisse uma avassaladora paixão. Vários relatos históricos sobre o casamento deles expressam a evolução do amor na vida do casal. A história de amor de ambos não foi impressionante desde o princípio, mas o amor foi crescendo”. Isso se observa nas cartas que Lutero escrevia para sua amada. Há quem diga que o casamento do ex-padre com a ex-freira se deu não como o clímax de um namoro e um “louco amor”, mas basicamente por conveniência e disso se desenvolveu um genuíno sentimento.  Segundo o olhar atual isso pode soar frio e arcaico. Eu mesma pensei isso várias vezes. Mas, hoje, pela graça de Cristo, eu posso enxergar no exemplo de Lutero e Catarina que o amor não tem pressa! Que quando firmado na causa de Cristo (ainda que por conveniência, como alguns pensem) é o caminho sublime do amor.

Olhem só o que eu li num artigo chamado Martinho Lutero: Ser humano, de Duncan Alexander Reily:
Logo após o casamento, Martino escreveu a um amigo: “Não estou loucamente apaixonado, mas gosto da minha esposa”. Um ano mais tarde ele disse: “Minha esposa é submissa, acomodatícia (se adapta facilmente) e afável, além de tudo que ousava esperar; não trocaria minha pobreza pela riqueza de Crespo”. Em 1538, após 13 anos de casamento, ele escreveu: “Se perdesse minha Kathy, não tomaria outra esposa, mesmo que me oferecessem uma rainha”.

Outro relato acrescenta informações ao episódio:

Escrevendo a um amigo ele declarou: “Existem algumas coisas com as quais precisamos nos acostumar no primeiro ano de casamento; o sujeito acorda de manhã e encontra um par de tranças postiças no travesseiro, onde antes não havia nada!” Entretanto, após um ano de casado, escreveu: “Minha Kathe é, em tudo, tão dedicada e encantadora que eu não trocaria minha pobreza pelas maiores riquezas do mundo”. E mais tarde: “Não há na terra um laço tão doce, nem uma separação mais amarga como a que ocorre num bom casamento”. Finalmente, é bem conhecida sua declaração: “Não há relação mais bela, mais amável e mais desejável, nem comunhão e companhia mais agradável do que a de marido e mulher num casamento feliz”.

Reily ainda diz:
As referências a Catarina na volumosa correspondência de Lutero são frequentes e iluminadoras. Muitas vezes ele se referia a ela, ao escrever em latim, como sua caríssima; em alemão, não raro, como Meine Harziliebe (o amor do meu coração). Ele brincava com ela e também a respeito dela, muitas vezes em jogos de palavras, reveladoras de um relacionamento ao mesmo tempo sadio e afetuoso. Logo após seu matrimonio, Lutero foi convidado às núpcias de Jorge Spalatin e sua noiva. Ele escreveu a Spalatin, em 11 de novembro de 1525, da sua impossibilidade de estar presente principalmente por causa da oposição dos príncipes gerada por sua parte no episódio das monjas de Nimschen. Diz ele: Eis a razão que não posso visita-lo, estou impedido pelas lágrimas da minha Catarina, a qual crê que você só quer me colocar em perigo. Lutero escreveu em latim, e a palavra Catarina traduzida (Katenae) é muito semelhante a palavra cadeias em latim! Na verdade ele fazia o mesmo jogo de palavras em alemão (Kathe – Kathy; Katte – cadeias). Lutero raramente chamava sua esposa de Catarina, os apelidos que empregou são ao mesmo tempo jocosos e cheios de apreciação. Ele a apelidou de  A Estrela da Manhã de Wittemberg. Ora em Apocalipse 22:16, é o próprio Jesus quem diz Eu sou a resplandecente estrela da manhã. Lutero parece, ao mesmo tempo valorizar sua mulher, referindo-se ao seu hábito de levantar-se as quatro da manhã no verão, e as cinco no inverno! Muitas vezes, ela a tratou de Senhor ao invés de Senhora; atrás das brincadeiras está um profundo respeito pela capacidade de Catarina de gerir a enorme casa pastoral, a qual era na verdade, o velho mosteiro, onde o próprio Martinho Lutero havia morado quando monge antes do casamento.

Vocês conseguem perceber como hoje, nos é mais comum um caminho inverso? Primeiro a paixão avassaladora, gerada pela “química que rola”, depois um namoro que ardente resulta em casamento, onde só então (e talvez) se busque uma causa para se viver como casal (e que infelizmente as vezes se resume a quantia de dinheiro que será necessária para pagar os tantos metros quadrados do apartamento escolhido, ou a qual carro novo teremos). Então os anos vão passando e o amor esfria.  Sim! Esse modelo é que nos tem sido ensinado por Hollywood, pela sociedade, pelos nossos pais, pelas nossas igrejas.

Lutero e Catarina nos ensinam um caminho mais excelente, um caminho que ao meu ver se assemelha com a Bíblia. Entendam que eu não estou dizendo que a partir de hoje nossos casamentos devem ser arranjados, nascerem sem nenhum pingo de afinidade, atração física, romance... O que eu quero chamar a atenção é simplesmente à seguinte questão: o amor que sonhamos, idealizamos, esperamos, vivemos, é mais Hollywoodiano ou Bíblico? Talvez seja necessário que reformemos nosso amor.

Muitas outras coisas são possíveis aprender com o casal de reformadores.  Catarina é um exemplo de mulher cristã: por várias vezes cuidou de seu Lutero nas horas de depressão, sentando-se ao seu lado e lendo a Bíblia para ele. Martinho sempre a pastoreava, dedicando-se a momentos devocionais com ela e lhe sugerindo a memorização de versículos.  Conta-se que, certa vez, Lutero estava bastante deprimido. Não se alimentava e passava os dias trancafiado em seu quarto. Estava cheio de dúvidas sobre se o que fazia era ou não da vontade de Deus. Catarina vestiu-se de preto e entrou subitamente no aposento. Lutero tomou grande susto, pensando que alguém tinha morrido. Catarina respondeu: “Ao que parece, Deus morreu!” A reação de Lutero foi imediata: levantou-se e saiu do quarto, agradecendo à esposa por fazê-lo retornar à vida.

Como disse um dos seus biógrafos, “ela não escreveu nenhum livro nem jamais pregou um único sermão, mas seu inestimável auxílio possibilitou que seu marido fizesse tudo isso como poucos na história da igreja”. A Sra. Lutero entendia o alto risco de se casar com o líder da reforma protestante, assim como o próprio Lutero.

Há inúmeros relatos que contam as firmes afirmações de Lutero expressando sua decisão de não querer casar-se em virtude disso ter como consequência o alto risco que colocaria uma mulher, já que sua vida tornara-se uma constante de estudos, pregações, perseguição e fugas.  Porém, também há relatos de uma jovem freira que ao conhecer sobre as pregações de um padre que afirmava a salvação pela fé, aventurou-se fugindo do convento e indo atrás desse novo ensino. Uma jovem que enquanto via todas suas amigas se casando, decidida dizia: Só me casarei se for com o Dr. Lutero! E assim, parece que Catarina fez o caminho até o coração do Reformador.

Martinho até tentou que Catarina se casasse com outros bons partidos, mas ela repetidamente afirmava na frente dele: Lutero, só me casarei se for com você!

E assim foi. Na noite de núpcias, Catarina abriu sua casa para monges fugitivos e abriu mão do “enfim sós”. Nos momentos que Lutero escondia-se hora para traduzir a Bíblia, hora para preservar sua vida, Catarina vendia suas louças, construía um celeiro, cultivava hortas e canteiros de plantas medicinais, operava uma cervejaria, cuidava de galinhas, vacas leiteiras e  de uma criação de peixes para criar seus filhos, os onze órfãos que abrigavam e os diversos jovens que abandonavam o mosteiro pela causa da reforma da Igreja. Martinho a dava total liberdade para participar e opinar, nos longos debates que aconteciam na sua casa sobre a Reforma Protestante. Ele também se certificava de deixar um ambiente seguro para sua família e sua Catariana quando viajava, delegando funções aos seus hóspedes para que auxiliassem sua esposa e a ajudassem em tudo que fosse necessário.  Ele preocupava-se com o bem estar da confiante Catarina, principalmente quanto às provisões financeiras, ela então lhe respondia: Não tema! Vá e pregue. O Senhor nos proverá todo o necessário!  Lutero dia a dia foi apaixonando-se pela sua Catarina e sua vida terminou no ápice da paixão pela sua esposa.

Um dos últimos discursos de Lutero sobre Catarina foi escrito a um amigo: “Minha querida Kate me mantém jovem, e em boa forma também. Sem ela, eu ficaria totalmente perdido. Ela aceita de bom grado minhas viagens e quando volto, está sempre me aguardando com alegria. Cuida de mim nas minhas depressões e suporta meus acessos de cólera. Ela me ajuda em meu trabalho, e acima de tudo, ama a Cristo. Depois Dele, ela é o maior presente que Deus já me deu nesta vida. Se algum dia vierem a escrever a história de tudo o que já tem acontecido (a Reforma), espero que o nome dela apareça junto ao meu. Eu oro por isso…”.

Hoje Lutero, celebramos a reforma e nos lembramos de sua amada Catarina! Como cristã e como mulher, agradeço a Deus por conhecer a história da família que vocês formaram. Agradeço ao Senhor por me ensinar sobre a possiblidade de um amor que nasce por uma causa: a Dele. Que cresce sob sua rocha segura, e chega ao fim explodindo em paixão. Obrigada irmão Lutero e irmã Catarina, por renovarem minha esperança de que em Cristo posso ter uma família relevante para o Reino.  Lutero, obrigada por me lembrar sobre a importância de dar meu coração e meu amor a um homem que ama ao Senhor e sua Igreja, que vive a Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solus Christus e Soli Deo Gloria. Catarina, obrigada por me ensinar como uma dona de casa por mudar o mundo. Como cultivar uma horta, como cuidar dos filhos, como ser hospitaleira, desprendida, pode impulsionar meu futuro esposo a cumprir a missão que Deus o deu. Obrigada por lembrar-me da minha “sub-missão”! Hoje, se pudesse os abraçaria e os diria isso e muito mais. Na eternidade nos encontraremos!

Sobre a última declaração de Lutero a seu respeito, Catarina disse: “Tudo o que tenho feito se resume a simplesmente duas coisas: ser esposa e mãe, e tenho certeza que uma das mais felizes de toda a Alemanha!”.

Que comemoremos hoje a Reforma Protestante. Que comemoremos hoje, a possibilidade de viver um amor doador e apaixonado, segundo Cristo.

Feliz dia da Reforma Protestante. Feliz dia da Reforma do amor. 


*Aqui, aqui, aqui e aqui você pode ler mais sobre Lutero e Catarina!

terça-feira, outubro 01, 2013

26 anos, solteira, e sem filhos.

We Heart It

Qual é o próximo passo?

Ambos os meus irmãos recentemente tiveram, e é mais do que provável que isto os faz ter uma família completa. Ambos são mais velhos do que eu, e por isso o sentido de saber que eles estão em um estágio diferente do meu. Eles se conheceram e se casaram com suas esposas, compraram cães e tiveram filhos, tudo em uma sequência agradável e provável de fatos. Eu amo vê-los a construir suas vidas juntos. É uma coisa que realmente me faz muito feliz. Quando o meu último irmão se casou, eu estava no começo de meus vinte e poucos anos.  Ninguém pronunciou nada sobre mim casando-me até então.
Mas e agora? Eu tenho 26 anos, solteiro e sem filhos . Os comentários começam a surgir.
"Qual o próximo passo?"
"Quando você vai se casar?"
"Os bebês ficam bem com você!"
"É melhor começar...!"
Eu não deveria estar muito preocupada com o que eles estão dizendo. Eles só estão brincando ou me até me encorajando a ir para o próximo passo em minha vida. É inofensivo! Ninguém quer dizer nada com isso, apenas que já é hora de eu estar indo na mesma direção que os meus colegas. Faz sentido. Eu entendo.
Mas eu não me sinto muito agradável.
Acredite em mim, eu tenho plena consciência de que sou solteira e não tenho filhos. Bah, eu nem sequer tenho um emprego de verdade no momento. Estou ciente de que estou ficando velha. Estou ciente de que eu não estou seguindo os mesmos padrões de meus pais ou de meus irmãos, ou de muitos dos meus colegas. Também estou ciente de que meu relógio biológico está correndo. Oh Meu Deus eu sou tão consciente sobre tudo isso.
Então, quando você - amigos , familiares, conhecidos, seguidores do Twitter e leitores do blog - me lembrarem de que eu estou longe do que era esperado para alguém da minha idade, isso faz eu me sentir arrasada. Eu me sinto como se eu tivesse feito algo errado. Eu sinto que eu vou deixar você triste, ou que vou fazer um erro terrível.
Ao invés de me regozijar na minha liberdade, bênçãos e possibilidades ilimitadas que essa fase da vida me oferece, eu fiquei congelada, sentindo-se como se eu não sou boa o suficiente. Como se o que eu fiz até agora realmente não importa, ou que eu não tenha conseguido nada. Sou uma pessoa leviana. Sou uma defeituosa. Estou em pânico. Quando você comenta sobre esta minha fase de minha vida como se não houvesse algo que eu pudesse fazer para mudar, isso me faz sentir inadequada. Na maioria dos dias eu realmente amo onde eu estou agora, mas quando as pessoas questionam o meu estado civil, eu acho que estou atrapalhando minhas chances de fazer qualquer coisa que valha a pena em minha vida.
E se o meu objetivo final de vida não tenha nada a ver com o casamento ou filhos ou uma carreira? E se o meu objetivo fosse amar muito as pessoas, e abraçar plenamente os dons que me foram dados? Isso seria o suficiente? E se o meu objetivo de vida fosse simplesmente correr a corrida, para ser chamado de servo bom e fiel no final disso tudo? Talvez isso significasse casar-me e ter filhos, e ter uma carreira próspera, mas talvez não. Tá tudo certo se isso não acontecer?
Quando você pergunta quando eu irei me casar, eu não tenho uma resposta para você. Quando você insinuar sobre mim tendo filhos, isso me deixa com ciúmes dos novos pais. Quando você incitar sobre a falta de uma carreira estável, eu fico muito frustrada. Quando você faz essas perguntas, isso não me ajudar a crescer. Não me ajuda a sentir-me satisfeito com relação onde eu estou. Isso me prejudica bem mais do que você imagina. Talvez você esteja apenas tentando puxar assunto, ou tentando ter uma conversa fiada, mas talvez você esteja realmente interessado em minha vida. Se for isso, eu me sinto muito grata.
Gostaria, porém, de sugerir uma coisa: ao invés de me perguntar qual será o próximo passo, pergunte-me o que vem agora. Questione-me sobre o que Deus está me ensinando, me pergunte o contra o que eu estou lutando, ou o que me traz alegria. Eu estou aprendendo, estou crescendo, e estou feliz. E eu adoraria contar-lhe a respeito disso tudo.
Tenho 26 anos de idade. Eu não tenho um marido. Eu não tenho filhos. Eu não tenho uma carreira. Eu não tenho o que as pessoas esperavam que eu devesse ter , mas sou abundantemente abençoada com coisas absurdas, divertidas e fantásticas, que eu nunca teria sonhado comigo mesma.
Então, por favor, meus queridos amigos, não me pergunte qual o próximo passo. Pergunte-me o que vem agora.

Autora: Amanda Bast. http://mandiemarie.com.
Tradução livre: Mirela Sartori

terça-feira, fevereiro 19, 2013

O segredo do sucesso está no sino dourado – Parte 2




Tá! Eu sei! Demorei demais pra escrever essa parte dois né?

Desculpa! De verdade! Acabei me perdendo na administração da minha vida (sou péssima em administrar coisas, confesso! ). Voltei do Chile, fiz vestibular. Passei! Mudança pra outra cidade (agora moro na praia, eba!), caixas e mais caixas! Aulas começaram. Agroecologia! Férias! Pedra no rim, médico. Acabei me perdendo. Mas, não esqueci um dia se quer que esse texto merecia uma parte 2 e o mais rápido possível.

E depois de um parágrafo inteiro de blá blá blá (risos), aqui estou! Com vocês: O segredo do sucesso está no sino dourado – Parte 2.

Espero que tenha dado tempo pra vocês pensarem (e repensarem), em tudo que escrevi na parte 1! Relendo aquele texto acho que tudo que eu mais quis dizer foi: Meninas o segredo do sucesso não está em um casamento, em um relacionamento, em um futuro a dois, em cumprir expectativas que a igreja te impõe, que você mesma se impõe (até sem perceber), que as situações a sua volta ditam como regra!

Sim! Muitas vezes somos a única da turma que ainda não casou, ou que ainda não tem um namorado e parece que estamos em grande pecado por isso. Em uma tristeza profunda! Em uma dor sem fim. Às vezes você até escuta: “Tadinha dela”... Ou às vezes você fala isso pra você mesma. E por que isso?
Porque de alguma maneira achamos que o segredo do nosso sucesso está no sino dourado. Está no grande dia! Que a vida só tem graça, só começa a existir a partir dai. Idealizamos tanto isso que perdemos o belo que há em todo processo pra isso.

Sem querer dizer algo óbvio, mas já dizendo, o segredo do nosso sucesso está em Deus e só Nele.

Nunca imaginei que fosse fazer isso, mas acho que agora cabe aqui um testemunho pessoal. Algo bem atual que estou vivendo, e o que me faz crer que a parte 2 vir só agora faz parte da providência, soberania e graça de Deus para conosco. Acho que se escrevesse esse post antes, não teria nada que contar. Nada que dizer. Hoje eu tenho. Hoje eu entendo que o segredo do meu sucesso não está em NADA além de Cristo.

Eu passei por dois namoros. O primeiro um tanto traumático, o segundo um tanto rápido, um tanto fantasiado de “falsa cura”. Ambos, pela falta de entendimento de que o segredo do meu sucesso não está em um homem.

Eu idealizava tanto o “estar com alguém”, parte como resultado de pregações que supervalorizavam o casamento e aprisionavam numa “santidade” anti-bíblica, parte por imaturidade minha, parte por relutar em deixar Deus me curar NO TEMPO DELE, e não no meu. Talvez por me sentir sufocada, cobrada pelas circunstâncias a seguir a maré e como todos estão casados eu também devo estar.

Mas, Deus insistiu e tem insistido em me fazer aprender que o segredo é Ele. Que meu único dever é descansar Nele e deixá-Lo ser tudo que eu preciso. Sem entender isso o ciclo de relacionamentos frustradas vai continuar. Pois sempre vou cobrar de cada namorado aquilo que só o Senhor pode ser, fazer, dar, conquistar em mim. Vou sufocá-los, pois meu ser anseia por Deus e se eu não beber na fonte certa vou viver numa construção desenfreada de falsos deuses, sugando, sugando, sugando e me ferindo. Ficando suja.

Na última semana tenho meditado em Oséias. E é com todo temor e carinho que quero compartilhar com vocês as preciosidades que Deus tem trazido através desse livro. Revelando o segredo do verdadeiro sucesso.

Oséias 2: 6-23 diz:

Portanto, vou pôr ao redor dela uma cerca de espinhos e vou construir um muro na estrada, para que ela não encontre o caminho. Ela correrá atrás dos seus amantes, mas não os alcançará; irá procurá-los, mas não os encontrará. Então dirá: “Vou voltar para o meu marido, pois, quando vivia com ele, eu era mais feliz do que agora.” Ela não compreendeu que fui eu que lhe dei o trigo, o vinho e o azeite; fui eu que lhe dei muitos presentes de prata e de ouro, que ela ofereceu ao deus Baal. Portanto, quando chegar o tempo da colheita, eu tomarei dessa mulher o meu trigo e o meu vinho e levarei embora as roupas de lã e de linho que tinha dado para ela vestir. Agora vou deixá-la completamente nua na frente dos seus amantes, e ninguém a livrará do meu poder. Acabarei com toda a sua alegria: não haverá mais festas anuais ou festas mensais, nem as festas dos sábados, nem qualquer outra festa. Eu destruirei as suas plantações de uvas e as suas figueiras que ela disse que recebeu como pagamento dos seus amantes. Só ficará mato, e os animais selvagens devorarão tudo. Ela me abandonou, adorou as imagens do deus Baal e queimou incenso como oferta a ele. Ela também se enfeitou com anéis e joias e correu atrás dos seus amantes. Por causa de tudo isso, eu a castigarei. Eu, o Senhor, estou falando. Deus disse ao povo de Israel: — Vou seduzir a minha amada e levá-la de novo para o deserto, onde lhe falarei do meu amor. Ali, eu devolverei a ela as suas plantações de uvas e transformarei o vale da Desgraça em uma porta de esperança. Então ela falará comigo como fazia no tempo em que era moça, quando saiu do Egito. Mais uma vez ela me chamará de “Meu marido” em vez de me chamar de “Meu Baal”. Nunca mais deixarei que ela diga o nome Baal; nunca mais se falará desse deus. Sou eu, o Senhor, quem está falando. — Naquele dia, farei um acordo com os animais selvagens, com as aves e com as cobras, para que não ataquem a minha amada. Quebrarei as armas de guerra, os arcos e as espadas; não haverá mais guerra, e o meu povo viverá em paz e segurança. — Israel, eu casarei com você, e para sempre você será minha legítima esposa. Eu a tratarei com amor e carinho e serei um marido fiel. Então você se dedicará a mim, o Senhor. Naquele tempo, serei o Deus que atende: atenderei ao pedido dos céus; os céus atenderão ao pedido da terra, dando-lhe chuvas; e a terra responderá produzindo trigo, uvas e azeitonas. Assim eu atenderei as orações do meu povo de Israel. Plantarei o meu povo na Terra Prometida para que eles sejam a minha própria plantação. E eu amarei aquela que se chama Não-Amada; para aquele que se chama Não-Meu-Povo eu direi: “Você é o meu povo”, e ele responderá: “Tu és o meu Deus”.

Deus frustrará todos os nossos esforços para encontrar vida à parte Dele. Assim como fala fazer com Israel, tipificada na esposa de Oséias.

Quando me deparei com esses versículos essa semana entendi o título de um livro que estou lendo e me custava entrar na mente o real significado dele: “o anseio furioso de Deus”.

Entendi uma das canções que vem sido cantada e cantada por aí: He is jealous for me / Love's like a hurricane... Ele tem ciúmes de mim, (me) ama como um furacão!

No versículo 6 e 7 o Senhor falar que vai cercá-la com espinhos, fechar o caminho para que ela não encontre nada, ninguém, que possa roubá-la Dele outra vez. Que Ele não a deixará ir se não for com Ele e pra Ele. Nos versículos que seguem Deus fala sobre dar fim em tudo que lembra os seus amantes. Ele a deixará nua, sem vinho, sem trigo, sem azeite, sem ouros, sem jóias, sem festas, sem nada para entender que “a vida com Deus é mais feliz” (ainda que isso signifique não ter nada!).

E nesse ponto o Senhor diz que a levará para o deserto. Aqui não pensem em deserto como aquele tempo de sofrimento como é tão pregado por aí. Eu falo de deserto no sentido sem nada em volta. Sem ninguém por perto. Vocês veem aqui o que Deus diz querer fazer com aqueles que buscaram seu sucesso, sua felicidade, sua paz, sua vida em “amantes”, falsos deuses, enganosos refúgios? Ele quer levar eu e você, as meninas que muitas vezes se sentiram injustiçadas, julgadas, sofredoras, coitadas por não ter alcançado o “sucesso” do sino dourado, para um lugar onde não há NADA além Dele e você. E ali nesse lugar onde não cabe nada além de você e Ele, Ele diz que a seduzirá e te falará sobre Seu amor. E satisfeita Nele, sem tempo para pensar em “falsos” sucessos, Ele diz: “devolverei a ela as suas plantações de uvas e transformarei o vale da Desgraça em uma porta de esperança”. Sim, é exatamente isso que a busca pelo sucesso errado causa: desgraça. Falta de graça. Posso dizer que minha busca pelo “sucesso casamento” causou “falta de graça” em vários momentos. Não apenas nos dois namoros que tive, mas em horas onde fugi do meu presente e vivi como uma reclamona agarrada no passado ou num futuro que não chega, deixando de vislumbrar todo agir de Deus no meu hoje e perdendo tempo em desfrutar da solidão de um lugar onde só cabe Ele e eu.

O meu hoje é estar sozinha, muitas vezes fisicamente de maneira intensa, sem nada nem ninguém por perto. Sem amigos, sem um namorado, sem meus pais, sem vizinhos. Mas, não vou fugir mais disso. Hoje sei que o lugar que estou é exatamente esse onde Deus me despiu de todos os meus falsos deuses que me prometiam falsos sucessos, e está me seduzindo e me falando do Seu amor. Amor que me impede de encontrar com amantes que me atraem, amor movido por um anseio furioso em que eu O pertença. Um amor que tem ciúmes de mim e me ama como um furação. Um violento amor. Que destrói tudo que se apresenta pra mim e em mim como algo que me desvie Dele. Um lugar onde Ele me trata com amor, carinho e fidelidade, onde Ele ouve as orações e ama quem ainda não foi amada, e faz Dele quem não pertence a ninguém! Tudo isso ali, nesses versículos de Oséias.

O segredo do sucesso está no lugar onde só cabe você e Ele. Onde todos os esforços para encontrar vida a parte Dele são frustrados e nada resta.  Não tenha medo de ser conduzida a esse lugar pelo amor furioso de Deus por você.

Com todo carinho do meu coração, orando pra que cada uma de você encontre o "sucesso" Dele e Nele. 

*p.s: eu recomendo a leitura desse artigo: Eros: AmorProfundo e Incompreendido de Hermes C. Fernandes. Ele respalda e ajuda a entender melhor esse forte amor de Deus.

segunda-feira, setembro 24, 2012

Pelo que você está esperando?

por Suzanne Hadley Gosselin em iPródigo

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Semana passada, deparei-me com um post de um blog, intitulado “Eu não quero mais esperar”, escrito por uma jovem do Reino Unido. No post, ela articulou precisamente muitos dos sentimentos que eu tinha quando era uma mulher solteiro chegando aos 30.

Sua premissa principal é que a ênfase em “esperar”, sexualmente e de outras formas, por um futuro cônjuge – uma visão que conseguimos com “Quem Ama, Espera” e outras campanhas – promove uma visão errônea de Deus.

Essencialmente, esta visão te ensina que, se você esperar da maneira correta, Deus te recompensará com um cônjuge. Mas o que acontece quando Deus não cumpre Sua parte da barganha?

Há um monte de garotas que não sabe mais quem é Deus – o Deus dos seus anos de mocidade simplesmente não está funcionando. Naquela época, este Deus disse para esperar pelo sexo após o casamento, até que Ele traga o homem certo como marido. Elas assinaram um cartão, colocaram no altar e prometeram esperar…
Algumas delas vêm orando a vida inteira por um marido, e ele não apareceu. Elas ouviram o conselho de “ser a mulher que Deus te fez ser, focar isso e, então, o marido virá”. Elas leram “À Espera do Amado”, tornaram-se super-envolvidas com a igreja aperfeiçoaram suas habilidades domésticas.
E, ainda assim, elas esperam.

Esta fui eu. E eu conheço muitas mulheres cristãs solteiras (e homens) que se encontram nessa situação neste momento. Eles fizeram tudo “certo”, mas continuam solteiros enquanto desejam casar-se. Eles podem até achar que querem tanto casar-se que é isso que os mantém solteiros.

“Você está certo, Deus”, eles dizem. Não estamos satisfeitos em ti, ainda. Te colocaremos em primeiro lugar e, então, tu trarás um marido em teu tempo”. Mas muitos deles – se forem honestos – vão te dizer que o tempo está passando, e está destruindo sua visão de Deus. Se é assim que Deus é, então Ele está tragicamente atrasado.

Tragicamente atrasado.Essa pequena expressão ressoou dentro de mim. Permanecer solteiro depois (ou muito depois) da idade normal do casamento pode ser trágico. E, se nós acreditarmos que o tempo de Deus está desajustado ou que Ele está propositalmente escondendo algo bom de nós, isso nos levará a questionar ou Sua soberania ou Sua bondade. Qualquer cenário leva a uma visão distorcida de Deus e dos Seus propósitos para Seus filhos.

Toda essa ênfase em esperar por algo que certamente Deus nos dará e trocar obediência por verdadeiro amor pode apresentar uma imagem falsa de quem Ele é e o que Ele nos oferece.

Cristo é a fonte de tudo o que precisamos e o doador de toda boa dádiva… porém, ao falar dEle às pessoas, é possível que tenhamos lhe apresentado como uma solução para os problemas da vida… e não da própria vida.

Essa é uma distinção importante. A autora prossegue dizendo:

E se eu tivesse aprendido que não é ruim orar por um marido, mas que minha maior oração deveria ser por Ele, para usar minha vida como Ele escolheu para Sua glória?

Essa é a pergunta certa. O propósito da minha vida, quer solteiro ou casado, é glorificar a Deus. E, quando pedimos para “usar minha vida como Ele escolheu”, Ele nunca estará “tragicamente atrasado”. A boa notícia é que minha maior necessidade – vida abundante em Cristo – está disponível para mim a despeito do que não aconteceu ainda. Isto é libertador; ao invés de esperar frustrada por como eu acho que minha vida deveria ser, eu posso aceitar o plano perfeito de Deus para hoje.

domingo, agosto 19, 2012

Missão: qual é a sua paixão?

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Quando escolhemos uma profissão ou um trabalho específico certamente há muitas motivações baseadas na nossa história de vida, aquilo que é valorizado na nossa comunidade, o que é importante no nosso grupo e o que nos sentimos realizados.

A missão que Cristo nos dá não é diferente. Estamos respondendo a um chamado da sociedade quando escolhemos uma profissão! Identificamos aquilo que há necessidade e surge uma vocação.

Lutero diz que “servir a Deus não se restringe a um ou dois trabalhos, nem se resume a um ou dois chamados, mas está presente em todos os trabalhos e em todos os chamados”, porque Cristo é o centro de nossa vida e tudo o que fizermos em palavra ou ação deve sinalizar o seu Reino.

John Stott diz que o importante é o que Deus nos chama para fazer e isso é único!

“Ser pastor ou missionário é um privilégio maravilhoso, se Deus nos chama para isso. Mas é igualmente maravilhoso ser um advogado, industrial, político, gerente ou assistente social, ser um filmador, um jornalista ou dona de casa cristã, se Deus nos chama para isso”.

A nossa missão está onde nosso coração/ paixão está! Como descobrir qual é a nossa paixão?
1) Qual é a área de conhecimento que você tem maior interesse?
2) Quais são suas habilidades?
3) O que lhe chama atenção na sociedade?
4) Qual é o seu sonho?
5) Diante disso o que eu posso fazer, quais são as minhas possibilidades para que a sociedade/ comunidade possa saber, enxergar Cristo na minha vida?
6) O que Jesus faria?

 

“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque no além para onde tu vais, não há obras, nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma”
Eclesiastes 9:10